A Kabbalah
ATÊNÇÃO, a Cabala deve ser encarara como uma ciência filosófica e
Nunca como algo prático. Este material filosófico conhecido como “Cabala” não
pode e nem deve ser estudada nem praticada por pessoas que não tenham entendimento da Torah e profetas, podendo estas pessoas aventureiras serem prejudicadas
espiritualmente na verdadeira prática e absorção racional dos mandamentos de D’us;
devido a incompreensão, complexidade, profundidade irrelevante dos assuntos e
das influências de procedência duvidosa que este compêndio pode ter sofrido através dos
Séculos. Podemos dizer que se você não é uma pessoa praticante da Torah na sua essência
não se aventure a se aprofundar e muito menos a praticar a Cabala; acredite você
não é uma pessoa credenciada, habilitada e autorizada a fazê-la, pois por desconhecer a
Torah você não terá uma experiência filosófica e conseqüentemente penderá para
uma possível ciência cabalística prática . Podendo estar sujeito as sanções
implicadas por Hashem. (Provérbios 29: 1)
diz: “O HOMEM que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, de repente será
destruído sem que haja remédio."
SAIBA MAIS...
O que dizem o que a Cabala é.
· "Os Sabios Judeus, “ é Claro”, orientam que só é permitido o estudo da Cabala apenas aos homens, maiores de quarenta anos de idade, casados, pais de família com no mínimo dois filhos e com uma vida "devota" à Torah.
· "Os Sabios Judeus, “ é Claro”, orientam que só é permitido o estudo da Cabala apenas aos homens, maiores de quarenta anos de idade, casados, pais de família com no mínimo dois filhos e com uma vida "devota" à Torah.
·
A
"Cabala" é uma filosofia esotérica que visa conhecer a Deus (D'us) e o universo, sendo afirmado que nos chegou
como uma revelação para eleger santos de um passado remoto, e reservada apenas
a alguns privilegiados.
Formas antigas de misticismo judaico consistiam inicialmente de doutrina empírica. Mais tarde, sob a influência da filosofia neoplatônica
Formas antigas de misticismo judaico consistiam inicialmente de doutrina empírica. Mais tarde, sob a influência da filosofia neoplatônica
·
A
Cabala é a ciência que estuda a estrutura do universo, as leis de
desenvolvimento dos mundos espirituais e do nosso mundo.
·
Todos
os livros da Cabala estão escritos na linguagem de sentimentos e desejos. Esta
linguagem é única e estritamente científica, empregando gráficos, diagramas e
fórmulas. Ela explica como alterar os nossos desejos com o propósito de
influenciar todo o mundo. Com esses gráficos e esquemas a Cabala descreve os
sentimentos, a alma da pessoa. A Música também fala com a pessoa em uma
linguagem de sentimentos e emoções e, portanto, está próxima da Cabala.
·
"Dentro do Judaísmo, "Cabalá" é o termo utilizado para um
conjunto de tradições místicas que supostamente teriam sido passadas pelos
patriarcas de geração em geração, desde Adam (Adão), porém essencialmente
derivando-se do período de Avraham (Abraão) até Moshe (Moisés). Essas tradições
místicas teriam essencialmente duas aplicações: práticas de natureza
espiritual, e um suposto entendimento mais profundo das Escrituras.
Cabalá: Judaismo X Misticismo.
I - Introdução: Um
Chamado à Teshuva.
" Muitos
de nós passamos pela mesma trajetória: Percebemos erros na doutrina cristã, bem
como elementos e práticas derivados do paganismo. Acabamos por nos encontrar em
uma jornada em busca da fé primitiva de Yeshua. E essa jornada inevitavelmente
nos conduziu ao Judaísmo, fé que Yeshua praticou, e para a qual veio ser o
Mashiach (Messias.)
" Todavia,
nesse processo, acabamos por adotar por padrão o Judaísmo Ortodoxo, como se o
mesmo fosse de fato um espelho do Judaísmo de Yeshua. E, na realidade, não é. O
Judaísmo Ortodoxo de hoje deriva de uma linha dentro do farisaísmo, que por sua
vez sequer era a única vertente judaica nos tempos de Yeshua. Muito menos ainda,
a única a conter semelhanças com os ensinamentos do Mashiach (Messias.) Mesmo
assim, o Judaísmo Ortodoxo nos serviu como uma espécie de aio para a identidade
judaica.
" Porém,
em meio ao natural encantamento com o Judaísmo, fomos ingênuos ao se aceitar tudo o que é tido como
judaico hoje como genuíno e original. Não nos aplicamos, da mesma forma e com a
mesma dedicação, a encontrarmos também dentro do Judaísmo Ortodoxo possíveis
elementos influenciados por religiões e práticas estranhas às Escrituras. E,
infelizmente, tais coisas existem.
" Nesse
processo, acabamos por ingerir um verdadeiro veneno espiritual, que precisa ser
extirpado do nosso meio. Pois deriva das mesmas raízes babilônias das práticas
que condenamos na fé cristã. Refiro-me à Cabalá.
" Nós,
que lutamos pela restauração das raízes judaicas da fé, devemos reconhecer
perante Elohim que fomos omissos, pra dizer o mínimo, ao legitimarmos a Cabalá
como expressão da fé judaica antiga. Uma religião sincrética e gnóstica,
costurada muitos séculos depois de Yeshua, e cuja principal característica é
semelhante a qualquer outra tática de Bavel (Babilônia): suplantar a verdade
bíblica, substituíndo-a por uma fé corrompida.
" Afim
de realizarmos teshuvá (arrependimento e retorno) dessa prática, a começar por
mim mesmo, apresento a vocês um estudo que é fruto de muitos meses de pesquisa,
e cuja mera primeira parte é fruto de muitos dias de escrita. Dias esses que
não vieram sem inúmeros ataques e até mesmo enfermidades, pois para desnudar
esse sistema torpe, foi necessário estudar as entranhas da fé babilônia. Algo
que, certamente, traz um impacto espiritual.
" Acredito
que Elohim esteja nos chamando à pureza da fé bíblica. Se saímos de onde saímos
por rejeitar elementos extra-bíblicos, então devemos igualmente fazer o mesmo
no que diz respeito às práticas judaicas. Caso contrário, seremos culpados de
hipocrisia perante Elohim.
" Sendo
assim, espero com este estudo poder ajudar a todos quanto se dispuserem a
investigar as origens da Cabalá, a encontrarem a verdade sobre a mesma. E que
Elohim nos livre de todo engodo, e nos prepare para o Seu retorno em glória.
II - Definindo o
que é Cabalá
" É
importante, antes de mais nada, definirmos o que é a Cabalá, pois existe muita
confusão a respeito disso. Alguns confundem Cabalá com o estudo dos mistérios
da Bíblia e dizem, por exemplo, que estudar a simbologia do Sefer Daniʼel
(Livro de Daniel) é uma forma de Cabalá. Cabalá não é isso.
O
termo "Cabalá" - הלבק - (também
transliterado de diversas outras formas, como Kabbalah, por exemplo) vem do
hebraico לבקל que significa literalmente "receber." Etimologicamente,
portanto, "Cabalá" é algo que foi "recebido."
" Dentro
do Judaísmo, "Cabalá" é o termo utilizado para um conjunto de
tradições místicas que supostamente teriam sido passadas pelos patriarcas de
geração em geração, desde Adam (Adão), porém essencialmente derivando-se do
período de Avraham (Abraão) até Moshe (Moisés). Essas tradições místicas teriam
essencialmente duas aplicações: práticas de natureza espiritual, e um suposto
entendimento mais profundo das Escrituras.
" Os
cabalistas partem do pressuposto de que, sem a Cabalá, a Bíblia - e em especial
a Torá - é incompleta. Sobre isso,
afirma o rabino Yitzchak Ginsburgh, em seu artigo "FAQ about Kabbalah and
Chassidut: What is the inner dimension of the Torah?":
"O ʻcorpoʼ da
Torá é composto de leis de comportamento. Essas leis expressam a vontade de
Elohim para nosso total e absoluto bem neste mundo e no Mundo Vindouro... A
ʻalmaʼ da Torá - ou Cabalá - é composta de segredos relacionados a Elohim o
Criadro, o processo criativo, e a providência de Elohim sobre a criação."
" A
"Cabalá" é portanto esse sistema teológico de "segredos"
que supostamente teriam sido passados de geração em geração, até que teriam
supostamente sido escritos entre o século 2 DC e a idade média.
" A
"Cabalá" é essencialmente composta desse material extra-bíblico de
conceitos e
"tradições"
que procura, portanto, explicar e expandir a Bíblia.
III - Principais
Obras
" Ao
longo dos séculos, diversas obras passaram a fazer parte do corpo de escritos
cabalistas. A maioria dos quais na idade média. Aqui listamos alguns dos
principais livros da Cabalá, que abordaremos em nossa série de artigos:
✦ Heichalot Rabbati (Os
Santuários Elevados)
✦ Pirkei Heichalot
(Dizeres dos Santuários)
✦ Sefer Yetsirá (Livro
da Formação)
✦ Sefer Bahir (Livro do
Brilho)
✦ Sefer Raziel haMalach
(Livro do anjo Raziel)
✦ Sefer haZohar (Livro
do Esplendor)
" Existem
outros livros importantes posteriores, porém esses são fundamentalmente aqueles
que compõem o códice principal da Cabalá, do qual derivam todos os outros escritos.
IV - O que a Cabalá
NÃO é
" É
importante definirmos que o estudo dos mistérios da Bíblia não significa
necessariamente uma prática dos conceitos da Cabalá. Tanto que, por exemplo,
outras religiões (como o Cristianismo, por exemplo) se ocupam de procurar
também estudar tais mistérios, e nem por isso estão praticando a Cabalá.
" Vejamos
o que é Cabalá, e o que não é, na forma de exemplos práticos:
O que é aplicar a
Cabalá
• Explicar a Bíblia
com base em obras cabalistas.
• Utilização de
elementos Bíblicos para práticas de superstição e/ou encantamentos.
• Utilizar-se de
conceitos judaicos místicos extra-bíblicos para criar conjecturas espirituais.
(ex: reencarnação, zodíaco, etc.)
• Explicar Elohim ou
a sua ação através de conceitos místicos judaicos extra-bíblicos.
• Tentar compreender
o "aspecto espiritual" da Torá (Lei) e das mitsvot (mandamentos)
com base no
misticismo judaico.
• Definir elementos
bíblicos misteriosos, parabólicos ou proféticos (ex: Daniʼel, Guilyana/
Apocalipse) com base não na cultura ou simbologia de época israelita, mas sim
em definições posteriores oriundas do misticismo judaico.
O que não é aplicar
a Cabalá
• Guematria: O termo
gematria vem do grego, que significa a "ordem do alfabeto." O
hebraico, como muitos alfabetos, usa letras como números. Sendo assim, palavras
e números na Bíblia têm uma simbologia especial. Assim como as palavras também
podem ter seu valor numérico calculado. O exemplo mais comum disso é o famoso
número da besta em Guilyana/Apocalipse.
A Cabalá se utiliza
da guematria, e a eleva a um uso extremamente difundido. Porém, a origem da
Guematria não está na Cabalá. É preciso, todavia, ter cautela ao aplicar a
guematria, pois alguns de seus métodos e formas foram ampliados e redefinidos
por cabalistas, nem sempre com base nas Escrituras. Em suma: Existe uma
guematria cabalista, mas nem toda guematria é cabalá.
• Estudo dos
mistérios e da simbologia bíblica: O fato de se estudar o significado,
por exemplo, das visões de Daniʼel ou de Yochanan (João) não significa
necessariamente que se está aplicando a Cabalá. Isso acontece unicamente se
tomarmos das definições da Cabalá, e as aplicarmos aos textos bíblicos.
Compreendermos, por exemplo, que o "fogo" nas Escrituras
frequentemente simboliza juízo e refinamento, não passa pela aplicação da
Cabalá. Estudar o que a Bíblia diz sobre os céus, o espírito do homem, etc. não
é fazer uso, necessariamente, da Cabalá.
Assim como estudar o
que significava determinada palavra, imagem ou simbologia para o Judaísmo nos
tempos dos escritores bíblicos também não implica em passar pela Cabalá. Até
porque os escritos cabalistas são muito posteriores, e referem-se a elementos
completamente diferentes das crenças judaicas dos tempos antigos.
" A
diferenciação entre o que é ou não é Cabalá torna-se de fundamental importância
para nós pois, como veremos mais adiante, o sistema cabalista deriva de um
sincretismo religioso que não é original ao Judaísmo.
V - As Divisões da
Cabalá
" Em
seu artigo "What is Kabbalah?" o rabino DovBer Pinson do Chabad (uma
das principais linhas do Judaísmo Ortodoxo) divide a Cabalá da seguinte
forma:"
"Falando em
linhas gerais, a Cabalá é dividida em três categorias: a teórica, que se ocupa
primariamente das dimensões internas da realidade; os mundos espirituais,
almas, anjos, e coisas do gênero, a meditativa, cujo objetivo é treinar a
pessoa que está estudando a atingir estados meditativos mais elevados
de consciência e, talvez até mesmo, um estado de profecia aplicando os
nomes divinos, permutações de letras, etc. O terceiro tipo de Cabalá é a
mágica, que se ocupa com a alteração e influência do curso da natureza. Ela
também utiliza nomes divinos, encantamentos, amuletos, selos mágicos e
vários outros tipos de exercícios místicos."
" O
mais alarmante é que a definição supracitada não vem de qualquer crítico da
Cabalá, mas sim de um cabalista ortodoxo. Aliás, definição essa que é repetida
regularmente nos círculos cabalísticos.
" Vejamos
o que a Bíblia tem a dizer a esse respeito:
VI - A Simplicidade
do Princípio
" No
princípio, a Torá foi categórica com relação a duas instruções dadas ao povo:
"As coisas
encobertas pertencem a YHWH nosso Elohim, porém as reveladas nos pertencem a
nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as
palavras desta Torá." (Devarim/Deuteronômio 29:29)
" A
Torá deixa bem claro que o objetivo das Escrituras era nos ensinar como
vivermos perante Elohim, e perante o próximo (ou a comunidade em que estamos
inseridos.) A Torá também nos determina que compreendamos que as coisas
encobertas pertencem a Elohim. Ou seja, tudo aquilo que Ele desejou nos revelar
está contido na Micrá Kodesh (Escritura Sagrada). O que não consta das
Escrituras, devemos deixar a cargo dele, para que não percamos o foco do
relacionamento com Ele.
" A
Torá também deixa claro que nenhuma tradição oral de algum tipo de ensinamento
oculto da própria Torá foi passado ou transmitido oralmente:
"E depois leu
em alta voz todas as palavras da Torá, a bênção e a maldição, conforme a tudo o
que está escrito no livro da Torá. Palavra nenhuma houve, de tudo o que
Moshe ordenara, que Yehoshua não lesse perante toda a congregação de Israel,
e as mulheres, e os meninos, e os estrangeiros, que andavam no meio
deles." (Yehoshua/ Josué 8:34-35)
" Além
disso, a Bíblia também nos relata uma total impossibilidade da continuidade de
uma tradição oral, pois em dados momentos até mesmo a própria Torá (escrita)
foi esquecida, como vemos:
"E, tirando
eles o dinheiro que se tinha trazido à casa de YHWH, Hilkiyahu, o
cohen, achou o livro da Torá de YHWH, dada pela mão de Moshe... Sucedeu
que, ouvindo o rei as palavras da Torá, rasgou as suas vestes. E o rei ordenou
a Hilkiyahu, e a Achikam Ben
Shafan, e a Avdom
Ben Micha, e a Shafan, o escrivão, e a Assayah, servo do rei, dizendo: Ide,consultai
a YHWH por mim, e pelos que restam em Israel e em Yehudá, sobre as palavras
deste livro que se achou; porque grande é o furor de YHWH, que se derramou
sobre nós; porquanto nossos pais não guardaram a palavra de YHWH, para fazerem
conforme a tudo quanto está escrito neste livro."
(Divrei HaYamim
Beit/2 Crônicas 34:14-21)
" Ora,
se até mesmo a própria Torá ("escrita") foi esquecida não apenas pelo
povo, mas pelo rei, seus nobres e até mesmo pelos cohanim (sacerdotes), quem
dirá uma suposta tradição oral! Até porque, vale ressaltar, que nos tempos
bíblicos, eram os cohanim (sacerdotes) quem detinham e transmitiam o
conhecimento da Torá.
" Temos
outro exemplo mais adiante:
"E toda a
congregação dos que voltaram do cativeiro fizeram cabanas, e habitaram nas
cabanas, porque nunca fizeram assim os filhos de Israel, desde os dias de
Yehoshua Ben Nun, até àquele dia; e houve mui grande alegria."
(Nehemiyah/Neemias
8:17)
" No
exemplo supracitado, Israel passou literalmente séculos sem sequer se recordar
da mitsvá (mandamento) da Torá acerca da festa de Sukot! Se algo tão essencial
da Torá foi esquecido – algo sobre o qual não se tinha apenas o hábito anual,
mas também um registro escrito, quem dirá uma tradição oculta. Onde estavam
esses supostos portadores de conhecimento mais elevado que sequer foram capazes
de fazer o básico?
" A
Bíblia também é frontalmente contrária a qualquer tipo de astrologia,
superstição, ou encantamento:
"Não
praticareis a adivinhação nem a magia... Não vos dirijais aos espíritas nem
aos adivinhos: não os consulteis, para que não sejais contaminados por eles. Eu
sou YHWH, vosso Elohim." (Vayicrá/Levítico 19:26,31)
"O rei, de pé
na tribuna, renovou a aliança em presença de YHWH... despediu os sacerdotes dos
ídolos que os reis de Yehudá tinham estabelecido para oferecer o incenso nos
lugares altos, nas cidades de Judá e nos arredores de Yerushalayim, assim como
os sacerdotes que ofereciam incenso a Ba'al, ao sol, à luz, aos sinais do
zodíaco e a todo o exército dos céus." (Melachim Beit/2 Reis 23:3-5)
VII - O
Desenvolvimento da Religião Babilônia
" O
historiador Stephen Bertman, em sua obra "Handbook to Life in Ancient
Mesopotamia", nos descreve como surgiu a religião da antiga babilônia:
Como toda religião primitiva, a antiga fé dos sumérios e dos acadianos era fundamentalmente
politeísta. Cada força da natureza incompreendida era atribuída a uma
divindade, e a partir disso se estabeleciam as mitologias. Nada de diferente do
que é o desenvolvimento comum da maioria das culturas.
" Com
o estabelecimento do império babilônio, essa religião politeísta acabou por se
tornar uma religião henoteísta. O henoteísmo consiste no reconhecimento de que
haja um deus-supremo, porém sem negar a existência de outros deuses menores. É
também
conhecido como
"monoteísmo inclusivista" ou "monoteísmo monárquico",
justamente pela idéia de um governante central, que não exclui a existência de
outras divindades.
"Donald A.
McKenzie, em sua obra "Myths of Babylonia and Assyria", afirma que
inicialmente, no antigo panteão sumério, os deuses eram governados por uma
trindade formada por Anu, deus dos céus, Enlil deus do ar, e Ea (também
conhecido por Enki), deus da água.
"A medida que a
antiga religião suméria foi evoluíndo para a religião babilônia, as relações e
o posicionamento desses deuses evoluíam (dependendo, inclusive, da preferência
de cada governante) e a mitologia tornava-se mais complexa.
"No henoteísmo
babilônio, viu-se posteriormente o prevalecimento do deus Ashur, um deus
invisível que era adorado acima de todas as coisas, porém lado-a-lado com as
divindades inferiores (frequentemente por meio de imagens).
VIII - Nasce a
Astrologia
" Um
dos sub-produtos da religião babilônia, ou talvez ainda da religião suméria
primitiva, foi a astrologia. Os antigos babilônios consideravam que os astros
tinham o poder de exercer influência sobre a vida do homem.
" O
texto astrológico mais antigo da humanidade está no conjunto de tábulas
babilônias denominado "Enuma Anu Enlil" (Literalmente, "Quando
Anu e Enlil"), cujo exemplar mais antigo data de 1600 AC. O texto descreve
fundamentalmente a sorte do mundo, de acordo com as diferentes posições dos
astros.
" O
compêndio de tábulas astrológicas conhecido como Mul- Apin (ao lado), com
tábulas que datam de 1000 a 300 AC, atribui todas as estrelas aos
"caminhos" percorridos pela trindade dos deuses Anu, Enlil e Ea. Uma
das suas principais produções é atualmente conhecido como o Zodíaco, a divisão
das constelações em 12 partes, que foi criada e aperfeiçoada na Babilônia por
volta de 1000 a 500 AC, e posteriormente adotada e desenvolvida pelos gregos.
IX - Amuletos e
Encantamentos
" Uma
das principais características da religião babilônia era o uso de
encantamentos, através da repetição de orações especiais, do uso de amuletos e
de invocações, não apenas para cura, como também para o controle de demônios.
Sobre isso, McKenzie escreve:
# "Magos
confundiam os demônios através de amuletos. Se um paciente ʻtocasse em ferroʼ -
ferro meteórico, que era o ʻmetal dos céusʼ - alívio poderia ser obtido. Ou,
talvez, a água sagrada fosse afastar o maligno; a medida que gotas caíam da
face do paciente, assim o espírito da febre também cairia. Quando um porco era
oferecido em sacrifício
substitutivo para um
paciente, ao espírito maligno era ordenado sair, para permitir que um espírito
gentil tomasse seu lugar...
# Os
espíritos causavam sofrimento; assassinavam vítimas, traziam infortúitos. Eles
também eram a fonte do bem e da ʻsorte.ʼ O homem considerava esses espíritos
emocionalmente; ele os invocava com emoções; ele se defendia de seus ataques
com emoções; e às suas emoções eram dadas expressões rítmicas através de
feitiços métricos de magia." (Myths of Babylonia and Assyria, pg. 237)
" De
fato, a própria Bíblia denuncia essas práticas originárias de Bavel
(Babilônia):
"Desce, e
assenta-te no pó, ó virgem filha de Bavel... Deixa-te estar com os teus
encantamentos, e com a multidão das tuas feitiçarias, em que trabalhaste desde
a tua mocidade, a ver se podes tirar proveito, ou se porventura te podes
fortalecer.
Cansaste-te na
multidão dos teus conselhos; levantem-se pois agora os agoureiros dos céus, os
que contemplavam os astros, os prognosticadores dos meses, e salvem-te do que
há de vir sobre ti. Eis que serão como a pragana, o fogo os queimará; não
poderão salvar a sua vida do poder das chamas; não haverá brasas, para se
aquentar, nem fogo para se assentar junto dele." (Yeshayahu/Isaías
47:1,12-14)
" Daniʼel
também testemunhou sobre esse sistema religioso:
"Então acudiram
os magos, os mágicos, os caldeus e os astrólogos, aos quais contei esse sonho,
sem que eles todavia pudessem indicar-me o sentido." (Daniʼel 4:7)
X - A Árvore
Assíria e as Sefirot
" O
nome "Árvore da Vida Assíria" é o termo atribuído por acadêmicos a
uma figura geométrica originária da religião babilônia, encontrada em diversos
achados arqueológicos. Apesar do nome atribuído pelos acadêmicos, o termo
"árvore da vida" não aparece nos escritos babilônios.
" Existem
inúmeras gravuras e inscrições babilônias com a imagem da Árvore Assíria - a
mais antiga datando de 1600 AC - não apenas
antiga demais para se
supor uma influência judaica (pois o cativeiro só ocorreu quase mil anos
depois), como quase 3 mil anos mais antiga do que qualquer referência judaica a
uma estrutura semelhante.
Acima, uma imagem de um templo de Ashurnasirpal II,
cerca de 900 AC.
" Essa
construção geométrica é fundamentalmente uma reprodução do panteão dos deuses
babilônios, disposta em sua ordem de geração. Ou seja, trata-se literalmente de
uma "árvore genealógica" dos deuses babilônios.
" Os
babilônios criam que o panteão dos 10 principais deuses babilônios formavam um
deus-coletivo chamado Ashur, o qual teria sido o criador do universo. O
conceito não é
muito diferente da
doutrina da Trindade, embora a independência dos 10 deuses babilônios seja mais
evidente.
" Como
evolução do panteão primitivo, Ashur viria a substituir Enlil, antigo chefe do
panteão sumério-babilônio, justamente por ser o deus- supremo.
" O
conceito é idêntico ao que os cabalistas a p r e s e n t a m p a r a a s S e fi
r o t , a s c h a m a d a s "emanações do Eterno," que nada mais são
de que uma réplica evoluída da Árvore Assíria da antiga religião babilônia.
Assim como os deuses emanavam de Ashur, as "Sefirot" supostamente
emanam do
Eterno, imagem ao "lado". Sobre isso, a
Enciclopédia Judaica afirma:
"Enquanto alguns
cabalistas tomam as sefirot por idênticas, em sua totalidade, ao Ser Divino -
i.e. cada Sefirá representa apenas uma visão diferente do infinito, que é
compreendida desta forma… outros vêem as Sefirot como meramente ferramentas do
poder divino, criaturas superiores que são, contudo, totalmente diferentes do
Ser Primordial."
" Em
sua obra "Monotheism in Ancient Assyria", o Dr. Simo Parpola,
professor de Assiriologia da Universidade de Helsinki, e especialista em
epigrafia da língua acadiana, afirma acerca da mitologia babilônia sobre o deus
Ashur:
"O criador
dele mesmo, o pai dos deuses, que cresceu no abismo; o rei do céu e da terra, o
senhor de todos os deuses, que emanou deuses supernais e infernais"
("Monotheism in Ancient Assyria", pg. 3)
" Ao lado,
imagem de recuperação arqueológica da sala do trono de Ashurnasirpal, cerca de
1000 AC.
" Assim
o Dr. Parpola narra acerca da mitologia sobre os deuses babilônios que formam o
panteão da árvore assíria:
Anu: "A
personificação do céu imutável, sua palavra na ʻassembléia dos deusesʼ era
final. O símbolo de sua autoridade era a coroa, que ele conferia sobre o rei
assírio."
Shin: "O deus-lua,
fruto (enbu) que dá a luz a si mesmo... cujo profundo coração nenhum deus pode
sondar, e cuja mente nenhum deus conhece. Sábio, conhecedor de todos os
segredos, sábio dos deuses. O deus puro, luz dos deuses, luz dos mundos
superior e inferior."
Ea: "O senhor da
sabedoria/segredos, o sábio/rei da sabedoria, o sábio dos deuses/do universo...
o senhor/rei das águas subterrâneas."
Shamash: "O deus sol, o
divino juíz por excelência, o ʻsenhor do juízo, rei/senhor da justiça/retidão,
o senhor da justiça e do direito, o grande juíz dos grandes deuses, o juíz do
céu e da terra/mundos superior e inferior."
Marduk: "Marduk era
irmão de Ishtar, mas o extremo oposto de seu irmão Shamash: misericordioso e
perdoardo, o deus/pai/senhor misericordioso, o misericordioso de coração
perdoador, misericordioso com a humanidade, aquele que perdoou os deuses."
Ishtar: "A senhora/deusa
da beleza e do amor; a senhora do amor, a amorosa, aquela que ama a
humanidade."
Nabu: "O matador de
Anzu (personificação do pecado), o guerreiro que alcançou vitória por Enlil, o
vitorioso que pisoteia o adversário mas faz o justo permanecer, cuja força é
exaltada."
Adad: "O deus do trovão:
glorioso, esplêndido, orgulhoso, poderoso... Como "a voz da majestade [de
Ashur], era o oráculo divino, um arauto e punidor divino na mesma pessoa,
anunciando, por seu rigido, divinos juízos e decisões à humanidade ao ferir com
seu raio os obstinados e malignos."
Nergal: "O senhor/rei da
terra, a quem Enlil [seu] pai confiou a humanidade, todos os serves viventes, e
as hordas de animais selvagens, a personificação da potência sexual e dos
instintos animalescos do homem."
" Sobre
a "árvore genealógica" dos deuses assírios, o Dr. Papola assim
comenta:
# "Todos
os ʻgrandes deusesʼ são parentes por nascimento. Todos eles descenderam de Anu,
o ʻpai dos grandes deusesʼ, o qual ele próprio era um filho de Ashur por
ʻreflexão.ʼ As relações genealógicas dos deuses revelam uma
hierarquia trina
orientada em torno da deusa Ishtar, que era conhecida como a ʻpopuladora da
assembléiaʼ e foi (com diferentes nomes) ʻcasadaʼ com todos os ʻgrandes
deuses.ʼ
# Três
dos deuses - Anu, Ea e Shin - eram também seus pais, dois - Shamash e Marduk -
seus irmãos, e três - Nabu, Adad e Nergal - eram seus filhos.
# Os
dois grupos funcionais correlatos de deuses machos (Ea, Marduk e Nabu; Shin,
Shamash e Adad) eram ambos linhagens diretas de pai e filho, começando
respectivamente com Ea e Shin. Ea era o pai de Marduk, que era o pai de Nabu.
Enquanto Shin era o pai de Shamash, que era o pai de Adad.
# Uma
vez que Anu, por outro lado, era o pai tanto de Ea quanto de Shin, a primeira
geração incluiu duas sub-gradações, com Anu, o pai e rei de todos os deuses,
ocupando sozinho o primeiro ranking.
# A
árvore genealógica dos ʻgrandes deusesʼ pode dessa forma ser plotada como vemos
ao lado (Ea aparece à direita como o filho mais velho de Anu; Nergal aparece abaixo
de Ishtar como fruto de sua união com Anu, e abaixo Adad e Nabu como os mais
jovens dos "grandes deuses.)"
XI - Bavel, a
Cabalá e o Número 6.
“Apesar de colocarmos Aqui a representação do Número 6, descartemos a referência de Apocalipse onde, o numero da besta 666 pelo qual este refere-se a um homem com poder” iremos nos ater ao fato da utilização e comentários cabalistas do numero em promulgação na pratica pagã babilônica da época e posterior ao cristianismo romano e a utilização do misticismo cristão.
" Desde
os tempos mais primitivos, conforme vimos, os babilônios dividiam os poderes
celestias em três partes - dada a existência de sua trindade primitiva.
" Na
numerologia babilônia, cada um de seus deuses tinha um número correspondento,
conforme indicam os escritos babilônios antigos apontados na obra do Dr.
Parpola. Esses eram considerados os números sagrados na antiga religião do
mistério babilônio.
" O
número primordial na numerologia babilônia era o 6. A base, portanto, da árvore
genealógica que forma o corpo de Ashur é justamente o 6.
" Podemos
ver os números das divindades ao lado configuradas. Chegamos a uma interessante
observação ao verificarmos os três pilares do panteão babilônio.
" Se
tomarmos, como propõe o Dr. Parpola, a base 6, temos o seguinte:
6
|
6
|
6
|
x10
|
x4
|
x30
|
60
|
24
|
150
|
" Não
é coincidência que no seu comentário sobre o Zohar, o rabino cabalista Vilna
Gaon afirma:
" "O
número 666 contém oculto nele um potencial messiânico exaltado e
grandioso."
" Sobre
isso, o rabino Dovid Rossof afirma:
" "666
é seis repetido três vezes. Repetir um conceito três vezes representa a
afirmação e força daquele conceito. O número 666 pode assim representar
a força e a perfeição do mundo físico, o qual o Judaísmo ensina ocorrerá na era
messiânica, quando o mundo físico alcançará seu propósito final, ser um
veículo através do qual as criaturas experimentam o criador."
" A
tradição cabalista de que o número 666 é positivo e representa essa perfeição
deriva, portanto, da idéia babilônia primitiva de que 666 representa a
totalidade da tríade de poderes do deus Ashur, que assim poderia ser sentido na
criação em toda a sua plenitude.
" As
semelhanças entre a Árvore Assíria e o modelo chamado pelos cabalistas de
"árvore da vida" (que, ressalta- se, nada tem a ver com a árvore da
vida bíblica) também passam pelo fato de que, assim como na Cabalá, na árvore
assíria a manifestação dos deuses também forma um arquétipo de "homem ideal."
Ao lado, uma ilustração do antigo "homem ideal" babilônio.
" Esse
"homem ideal" é associado pelos cabalistas ào "Adam Kadmon"
(Homem Primordial), que é o conceito da imagem de Elohim à semelhança de que o
homem fora criado. Embora o conceito seja bíblico, as Escrituras nada afirmam
sobre as sefirot serem esse modelo - definição essa que é fruto do sincretismo
dos mistérios babilônios com a fé bíblica.
" Sobre isso, o Dr. Parpola no artigo
"The Assyrian Tree of Life: Tracing the Origins of Jewish Monotheism and
Greek Philosophy", para o Journal of Near Eastern Studies afirma:
" "Assim,
se a Árvore simbolizava a ordem divina do mundo, então o rei ele próprio
representava a realização daquela ordem no homem, em outras palavras, uma
verdadeira imagem do Eterno, o Homem Perfeito."
" Em
outras palavras: Como era de costume nas religiões mesopotâmias primitivas,
para justificar o seu status divino, o rei babilônio afirmava ser exatamente a
imagem e semelhança das "emanações de Ashur˜, conforme podemos ver na
figura ao lado.
" Sendo
assim, os cabalistas extraíram o conceito, e aplicaram-no ao "rei eterno
de Israel", isto é, ao Mashiach (Messias), que supostamente seria uma
imagem das "emanações do Eterno."
" Não
é difícil perceber, portanto, como os místicos judeus tomaram do modelo
babilônio, e a ele atribuíram alguns dos atributos bíblicos de Elohim, análogos
às descrições dos deuses babilônios, ao modelo da Árvore Assíria, formando
assim a sua própria "árvore da vida" - não derivada do relato de
Bereshit/Gênesis, mas sim do sincretismo religioso.
" A
Árvore Assíria não encontra derivativos unicamente no misticismo judaico.
Devido à grande expansão do império babilônio, podemos encontrá-la
influenciando outras culturas.
" O
exemplo mais proeminente são os chakras do hinduísmo, cuja origem data
aproximadamente de 1200 a 900 AC (muito antes de qualquer menção judaica às
sefirot). Todavia, não é o único: há ainda outros, como o Lataif do Sufismo (à
direita.) Evidentemente, tais sistemas não são objeto deste estudo, que apenas
os aponta como curiosidade, dada a sua semelhança às sefirot (centro.)
XII - Quem copiou quem?
" Um dos argumentos utilizados pelos que advocam a Cabalá é de que seria o misticismo babilônio quem teria supostamente copiado a Cabalá, por influência do cativeiro judaico, ou mesmo de filhos de Avraham Avinu (Abraão, nosso pai).
" O
problema desse tipo de argumentação é que ela não encontra nenhum eco na
Bíblia, na história ou na arqueologia, e depende unica e exclusivamente no crer
na palavra dos precursores da Cabalá. Palavra essa que sequer foi unânime
durante o desenvolvimento da mesma.
" Seguem
os principais problemas que inviabilizam essa tese:
1)
Os registros babilônios são muito anteriores
" Os
registros do misticismo babilônio chegam a datar do século 17 AC, exatamente a
data aproximada que se estima teria vivido Avraham (Abraão.) Considerando-se
que supostamente os ensinamentos místicos, segundo o Judaísmo, teriam sido propagados
por seus filhos, deveriam aparecer apenas algum tempo depois. Ademais, os
registros babilônios também indicam que esse sistema religioso já existia
anteriormente até mesmo ao século 20 AC.
2)
Os registros cabalistas são muito modernos
" Existe
muito pouco de registros cabalistas anteriores à idade média. Mesmo o que
existe, não é sem paralelos muito anteriores na história e na arqueologia
babilônia. Não existe NENHUM registro judaico desse tipo de misticismo anterior
ao regresso do exílio babilônio.
3) A
Cabalá nunca foi aceita com unanimidade
" Se
a Cabalá tivesse uma origem antiga incontrovertida, não teria sido alvo de
inúmeras oposições e protestos de grandes líderes judeus (inclusive, de
orientação farisaica/ortodoxa.)
Veremos isso mais adiante. Já no caso dos mistérios babilônios, eram amplamente
praticados.
4) O
misticismo babilônio é documentado escrituralmente
" Os
escritos religiosos de Bavel (Babilônia) atestam e dão suporte ao seu sistema
religioso, demonstrando que de fato o mesmo era posto em prática amplamente.
5) O
misticismo judaico não tem qualquer documentação nas Escrituras
" Em
contrapartida, os principais textos religiosos do Tanach ("Primeiro
Testamento"), que compõem o âmago dos livros sagrados do Judaísmo, não
trazem qualquer menção aos preceitos cabalísticos, exceto por analogias
remotíssimas e muito fracas, fruto do sincretismo cabalista.
6) A
Bíblia se opõe ao ocultismo
" Como
vimos anteriormente, a Bíblia possui uma posição muito clara quanto ao
ocultismo. Não apenas afirma que os mistérios não pertencem a nós, como ainda
se opõe a práticas ocultistas.
7)
Ausência de livros antigos
" A
Cabalá só foi estruturada integralmente na Idade Média. Até então, sequer
existia qualquer livro específico e sistemático sobre o tema. Embora exista a
alegação de que alguns livros sejam antigos, e datem até mesmo de antes de
Yeshua, nenhuma de suas principais obras pode ser encontrada em exemplares
anteriores à Idade Média. Veremos isso mais adiante.
8)
Impossibilidade de uma tradição oral cabalista
" Como
vimos anteriormente, pelo próprio relato bíblico, é impossível que uma tradição
oral tenha sobrevivido desde os tempos de Moshe (Moisés), para ser transmitida
por iniciação.
" Como
podemos perceber, não é difícil respondermos à pergunta: Quem copiou quem? Fica
bem claro que é o misticismo judaico que é subproduto dos mistérios babilônios
e outros, e não o oposto.
" Além
disso, a total ausência de legitimação de tal sistema por parte de muitos
sábios Judeus da época e inclusive do próprio Yeshua e seus seguidores torna
ainda mais difícil a aceitação de que algo dessa natureza fosse relevante para
fé judaica.
XIII
- A Verdadeira Origem da Cabalá
" Desde
pelo menos o século 7 AC, a Bíblia nos relata que em Yehudá (Judá) houve
fascínio pela cultura religiosa babilônia. Pouco antes do cativeiro, Yirmiyahu
(Jeremias) já advertia o povo:
# "Os
filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a
massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros
deuses, para me provocarem à ira." (Yirmiyahu/Jeremias 7:8)
" A
"rainha dos céus" era Ishtar, deusa babilônia da beleza, do amor e da
fertilidade, principal consorte dos principais deuses do panteão babilônio.
" Percebemos
ainda mais influência do paganismo babilônio na adoção de práticas de
astrologia:
# "Assim
diz o YHWH: Não aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis dos sinais
dos céus; porque com eles se atemorizam as nações." (Yirmiyahu/Jeremias
10:1-2)
" Durante
o período do exílio, percebemos que Elohim adverte a Yehezkel (Ezequiel)
que a prática
persiste:
"E
entrei, e olhei, e eis que toda a forma de répteis, e animais abomináveis, e de
todos os ídolos da casa de Israel, estavam pintados na parede em todo o redor.
E
estavam em pé diante deles setenta homens dos anciãos da casa de Israel, e
Yaʼazanyahu, filho de Shafan, em pé, no meio deles, e cada um tinha na mão o
seu incensário; e subia uma espessa nuvem de incenso... E levou-me para o átrio
interior da casa de YHWH, e eis que estavam à entrada do santuário de YHWH,
entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o
santuário do SENHOR, e com os rostos para o oriente; e eles, virados para o
oriente adoravam o sol." (Yehezkel/Ezequiel
8:10-11)
" Mas
o apego pelo ocultismo prevaleceu, e acabou sendo incorporado ao Judaísmo.
Ainda por volta do século 2 AC, Ben Sirach também advertia contra a prática do
ocultismo:
"Aplica-te
àquilo que te é acessível, e não te ocupe com coisas misteriosas. Não te
afiljas com aquilo que te ultrapassa, pois foi mostrado a ti mais do que o
homem pode compreender. Porque muitos se extraviaram em suas concepções, uma
opinião errônea desviou seus pensamentos." (Ben Sirach/Eclesiástico
3:22-24)
XIV
- O Gnosticismo Judaico
" Após
o período da expansão do helenismo, através do império selêucida de Antíoco
Epifânio e com a posterior expansão romana, o Judaísmo também tomou contato com
idéias helenistas - que por sua vez já representavam uma expansão do misticismo
babilônio. Surgia, por intermédio dessa globalização da religião dos mistérios
babilônios, o gnosticismo.
# "O
gnosticismo judaico inquestionavelmente antecedeu o Cristianismo, pois a
exegese bíblica já havia atingido a idade de quinhentos anos no primeiro século
DC. O Judaísmo teve contato próximo com ideias Babilônio-Persas por pelo menos
todo aquele período, e por praticamente o mesmo período com ideias helenizas. A magia… uma parte não pouco importante das doutrinas e
manifestações do gnosticismo, largamente ocupou os pensadores judeus. Não há, em geral,
qualquer círculo de ideias aos quais o Gnosticismo foi traçado, que não fosse
familiar aos judeus."
" Podemos
perceber que esse tipo de prática permaneceu, tanto na diáspora judaica, quanto
na terra de Israel, pois em Maʼassei HaShʼlichim (Atos dos Emissários), Estêvão
menciona tais costumes:
"Antes
tomastes o tabernáculo de Moloch, E a estrela do deus Refan, Figuras que vós
fizestes para as adorar. Transportar-vos-ei, pois, para além de Bavel."
(Maʼassei
HaShʼlichim/Atos 7:43)
" É
também possível perceber que houvesse entre o povo diversos praticantes de
magia, e a Bʼrit Chadashá (Novo Testamento) relata pelo menos dois episódios,
um com Shimon o mago (At. 8:9-11) e com os exorcistas judeus, filhos do cohen
gadol (sumo sacerdote), que tentaram utilizar o nome de Yeshua como forma de
encantamento (At.19:7-16)
" Sabe-se pelo relato da Bʼrit Chadashá (Novo Testamento) bem como de registros históricos que o gnosticismo, leia-se: o antigo misticismo babilônio agora associado a outros elementos sincréticos, continuou a ser um problema fortemente combatido pelos seguidores de Yeshua. Semelhantemente, no meio judaico tradicional, o misticismo babilônio foi, aos poucos, tomando corpo.
XV
- A Astrologia e o Misticismo Judaico
! Como podemos ver pelo
relato da acusação de Estêvão, algumas seitas judaicas já naquela época eram
fortemente influenciadas pela astrologia. De fato, a história nos revela que a
astrologia babilônia influenciou pesadamente o Judaísmo Fariseu.
" O rabino Levi Brackman, do Chabad,
afirma em seu artigo "Is Astrology Kosher?":
# "É fascinante notar que os
rabinos do Talmud criam consideravelmente na astrologia. O Talmud afirma que ʻao
entrar o mês de Adar, alguém deve ficar cada vez mais alegres. Rav. Papa disse:
ʻPortanto um judeu deve evitar litígio com Gentios no mês de Av, porque sua
mazal é ruim; Ele deve mover o caso da corde para o mês de Adar, quando sua
mazal é boa.ʼ A palavra hebraica que o
Talmud usa aqui, mazal, é normalmente traduzida como ʻsorteʼ, mas literalmente
significa ʻconstelações.ʼ
# A
Astrologia não é o único fator a ser tomado em conta quando planejando eventos
futuros - ela também influencia a natureza humana. De acordo com o Talmud,
alguém que nasce sob a constelação do sol atingirá eminência, e alguém que
nasce sob Vênus se tornará rico e imoral. Alguém que nasce sob Mercúrio se
tornará sábio e terá memória retentiva. Alguém que nasce sob a Lua sofrerá o
mal. Alguém que nasce sob Saturno sofrerá frustações; alguém que nasce sob Júpiter se tornará justo e alguém que nasce sob Marte se tornará ou um cirurgião ou um
açogueiro. O aniversário é, portanto,
visto pelos rabinos como um dia em que a sorte pessoal astrológica está mais
potente."
" Chega
a chocar o fato do misticismo judaico atribuir justiça de
caráter à influência de Júpiter (Dyeus-Pater), astro
assim nomeado em associação ao mesmo chefe do panteão romano, que
posteriormente seria conhecido como "Deus" e cultuado pelo
Catolicismo Romano.
" Desde
os tempos antigos, e apesar de toda proibição bíblica, a astrologia tem
influenciado fortemente o Judaísmo. Ao lado, podemos ver o zodíaco representado
em mosaico sinagoga de Beit Alfa, datada do século 6 DC, no norte de Israel.
XVI
- Mitra, o Anjo Intercessor e Messias da Cabal
No
Império Romano, o Cristianismo enquanto religião oficial sincrética era
influenciado pelo culto à divindade persa Mitra, uma espécie de sub-deus do sol
derivado da figura mitológica babilônia de Shamash. O Judaísmo não foi diferente,
com a adoção cúltica de Mitatron (ןורטטימ - forma mais arcaica) ou
Metatron (ןורטטמ - forma posterior)
" Metatron,
figura do gnosticismo judaico, nada mais é do que o Mitra persa, o mesmo
deus-sol sobre o qual o Tanach ("Primeiro Testamento) já advertia. O culto
a Mitra, ou Mitatron/Metatron, se popularizou no meio judaico nos séculos
seguintes.
" Mitra/Metatron,
o deus-sol de origem persa-babilônia, era representado como um deus que
cavalgava sobre uma carruagem celestial. O "caminho de Mitra", nos
mistérios do Mitraísmo, era conhecido portanto aos iniciados como a sua
"carruagem." O gnosticismo judaico, a partir do sincretismo dessa
idéia com a visão de Yehezkel (Ezequiel) sobre a merkavá - o trono
"móvel" de Elohim que na Bíblia não tem qualquer relação com
iniciação ou conhecimento místico - construiu sua forma de iniciação nos
mistérios babilônios.
" Sobre
isso, a Enciclopédia Judaica esclarece:
"...
A característica mais impresisonante é que esses mistérios repousam sobre a
crença de que a realidade de coisas vistas em estado de êxtase, trazido através de abluções, jejuns, invocações
fervorosas, encantamentos, e outras formas. Isso é chamado de ʻa
Visão da Merkaváʼ, e os que estão sob essa
estranha alucinação, imaginam-se entrando a Carruagem Celestial... nessa carruagem, eles
supostamente ascendem aos céus, onde numa luz estonteante que os cerca,contemplam os segredos
mais íntimos de todas as pessoas e coisas, que normalmente são impentráveis e invisíveis."
# A descrição supracitada
encaixa-se exatamente com a religião dos mistérios de Mitra, cuja origem está
no misticismo, nos transes e encantamentos babilônios. Não à toa, a
Enciclopédia Judaica continua, e afirma:
"Mitra, o cavaleiro
celestial, com sua quadriga, uma carruagem puxada por quatro cavalos, e que era
adorado na Pérsia antiga como o deus da luz e considerado nos tempos romanos antigos como o movedor primordial
do mundo... era invocado em ritos misteriosos como o mediador entre a divindade
inacessível e desconhida, nas regiões etéreas de luz, e o homem na terra...
Esses ritos têm semelhança tão impressionante com aqueles através dos quais os
montadores da Merkavá se aproximavam da dinvidade, que
praticamente não há qualquer dúvida da origem mitraísta desses últimos... A única diferença entre eles é que enquanto os
adoradores de Mitra, pelo menos nos tempos romanos, tinham a vinda de Mitra
como o deus-supremo como seu objetivo, os montadores da Merkavá viam o Eterno
como seu principal objetivo, e Metatron-Mitra, o arcanjo,
sendo o cavaleiro divino que os carrega à presença de Elohim. Além disso, existe a
mesma alucinação operando que faz os que estão em êxtase imaginarem que ele é
elevado da terra aos céus para ver o sol, as estrelas, e os ventos saírem de
seus lugares; para contemplarem o sol (ou deus-sol), e toda a morada celeste,
os sete regentes dos polos celestiais, ou os arcanjos; e finalmente para contemplarem o luminoso e jovial Mitra em toda a sua beleza - o
jovial Metatron dos místicos judeus."
" Será
coincidência que o termo Mitatron/Metatron nunca apareça uma vez sequer nas
Escrituras? No entanto, o Talmud (século 6 DC) o coloca como figura relativamente
central de fé, uma espécie de segundo em comando, a partir de Elohim?
" Será
coincidência que os mistérios da Merkavá, igualmente ausentes do relato
bíblico, se assemelham aos mistérios de Mitra na religião persa? Novamente,
algo que só aparece um bom tempo depois do segundo exílio babilônio? As
inúmeras semelhanças não são mera coincidência.
XVII - Invocações ao deus-sol
" Mas
as coincidências não acabam por aí. No chamado Sefer Hechalot HaRabati (O Livro
dos Santuários Elevados) aplica a mesma expressão "Príncipe da
Presença" - atribuída a Metatron - a um "anjo" chamado Surya:
"A
qualquer homem que desejasse descer à Merkavá chamaria a Surya o Príncipe da
Presença e o invocaria cento e doze vezes perante Trotosi ʼ ai o Senhor."
(Hechalot HaRabati 14:204)
" Para
infelicidade dos cabalistas, Surya é conhecida hoje pelos arqueólogos e
historiadores justamente como uma divindade hindu derivada do Mitraísmo Persa!
" Surya,
cujo significado em hindu é literalmente "saudação ao sol", era
também conhecido como Mitra ou Maitrakas.
" O
texto cabalista, falando das 112 invocações a Surya, não é por acaso. No
Hinduismo antigo, Surya era adorado através de 10 posturas de Yoga (derivadas
dos chakras, cuja origem, como vimos, é semelhante à das sefirot) que
completavam um movimento chamado namaskar. Os hindus praticavam 108 namaskar
por dia, utilizando para isso 12 mantras - que certamente derivam da antiga
associação persa de Mitra com os 12 signos do zodíaco babilônio. Não à toa
temos, nos escritos cabalistas, as 12 invocações.
" Na
literatura hindu, vemos também a invocação a Surya/Mitra e menção à sua
carruagem. Na coletânea de hinos dos vedas, denominada Rig Veda, no livro 1,
hino 35, encontramos o seguinte:
"Ao
longo do escuro firmamento avançando, fazendo repousar aos imortais e aos
mortais, montado em sua carruagem de ouro ele vem, Savitar, deus que olha para
toda criatura."
" Assim
como os seguidores de Mitatron/ Metatron, os seguidores de Surya também mantêm
que os mantras se equivalem ao cavalgar da carruagem do deus-sol.
" Ao
lado, uma antiga representação hindu do mesmo deus Surya citado explicitamente
pela obra cabalista Hechalot Rabati como um ser digno de adoração.
" Esse
é o mesmo Metatron/Mitra que alguns cabalistas associam ao Mashiach (Messias) -
outros afirmam que seja um dos messias - e que frequentemente é apontado por
muitos seguidores de como sendo o próprio Yeshua! Não percebem tais pessoas que
Metatron não é outro senão o mesmo Mitra, que aparece também de forma
sincrética associado à figura de Yeshua por meio da tradição cristã romana!
" Como
podemos perceber, desde aproximadamente o exílio babilônio, o sistema religioso
dos mistérios babilônios começou a se infiltrar na fé judaica - tendo sido, não
raramente, condenado pelas Escrituras.
" Mas,
os principais desenvolvimentos da Cabalá, a religião babilônia sincrética que
visava substituir a fé pura da Torá de Elohim, ainda estava por vir nos séculos
seguintes.
XVIII
- Parece, mas não é...
! Um dos cuidados mais
importantes que devemos ter no que diz respeito à Cabalá é justamente a
roupagem bíblica assumida pelo sistema religioso dos mistérios da Babilônia.
" Frequentemente,
para justificar o sistema da Cabalá, seus proponentes apontam para termos
bíblicos. Por exemplo, para justificar a Merkavá, o rito esotérico mitraísta
importado da Pérsia, afirmam que o termo "Merkavá" refere-se ao
trono-"carruagem" de Elohim que aparece, por exemplo, em
Yeshayahu/Isaías 66:15:
"Pois
YHWH virá no meio do fogo, com seus carros [hebr. markevotav] semelhantes ao
furacão, para satisfazer sua cólera num braseiro, e cumprir suas ameaças em
chamas ardentes."
! O problema é que os
cabalistas utilizam uma mesma palavra, com definições diferentes. Na Bíblia, o
termo "merkavá" jamais se referiu a um rito esotérico feito por meio
de encantamentos e transes! O termo, na realidade, é utilizado na linguagem
bíblica em visões, sempre com sentido figurativo para denominar força ou
poderio militar.
" A
semelhança do termo "merkavá" usado para a descrição bíblica e nos
rituais cabalistas deriva unicamente do processo sincrético através do qual os
místicos renomearam rituais e crenças babilônias a partir de elementos da
simbologia bíblica.
" O
mesmo acontece para as sefirot, uma vez que os termos usados para cada sefirá,
como chessed (graça), guevurá (força), etc. são termos que de fato encontram-se
nas Escrituras. E, de fato, Elohim é descrito como forte, misericordioso, belo,
etc. Porém, jamais esses termos são utilizados na Bíblia da maneira como a
Cabalá os descreve! A Bíblia não fala de emanações, não menciona 10 sefirot -
sequer limita os atributos de Elohim a dez predicados.
" O
processo realizado pelos cabalistas encontra grande semelhança, guardadas as
devidas proporções e diferenças de contexto, com o nascimento da Umbanda. O que
é a Umbanda senão fruto do sincretismo entre as religiões afro com o
Catolicismo? As entidades da magia negra africana ganharam nomes de santos
católicos, e assim se formou a nova religião. Da mesma forma, a Cabalá nada mais
é do que um conjunto de práticas do misticismo gnóstico (originário em diversas
religiões, porém em sua maioria remontando ao sistema babilônio) redefinidas
para ganharem roupagens bíblicas.
" Encerramos,
portanto, com a advertência que a Bíblia nos faz:
"Que
harmonia há entre o Mashiach e Beliyaʼal? Ou que parte tem o que crê com o que
não crê? E que consenso tem o Beit HaMikdash de Elohim com demônios? Pois nós
somos Beit HaMikdash do Elohim vivo, como Elohim disse: Neles habitarei, e
entre eles andarei; e eu serei o seu Elohim e eles serão o meu povo. Pelo que,
saí vós do meio deles e separai-vos, diz YHWH; e não toqueis coisa imunda, e eu
vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas,
diz YHWH Shadai."
(Curintayah
Beit/2 Coríntios 6:15-18)
.jpg)

.jpg)

